Apagam-se as luzes
e os gemidos são poesia
até amanhecer
É ilusão de ótica,
ou a boca deste teu beijo
é pura robótica?
A morena dança
e as incongruências tolas
o racista esquece
não,
não é viagem
na vida, todo mundo
é personagem
Estatística: sobra sempre um suspiro para cada beijo-de-tirar-o-fôlego.
Ela deve ser radioativa. Ela se aproxima e eu sinto interferências.
A verdadeira fortuna é aquela que a gente esconde no peito. No bolso, só restam detalhes.
Os apaixonados depositam segredos, e ela se enche deles. Depois, ela mingua de inveja na solidão escura dos céus de cada noite.
O anjo pousou no cume da favela e uivou um mandamento que ecoou no coração do morro e escorreu pelas vielas sombrias da cidade: “Crie!”
Nem Capitu, nem Gabriela, nem Macabéia, nem Lolita, nem a Marília (a do Dirceu), nem Wendy do Peter Pan ou Alice e suas maravilhas. A personagem que realmente o impressionava era aquela sua esposa perfeitinha que insistia em fingir que o amava.